Viviane Abreu

Artigo

O que é procrastinação segundo a Psicologia?

· 5 min de leitura

"Eu faço depois."

Essa frase parece simples, mas a procrastinação pode envolver muito mais do que falta de organização ou preguiça.

Procrastinar é adiar voluntariamente uma tarefa ou decisão, mesmo sabendo que esse adiamento pode trazer consequências negativas. Muitas vezes, a pessoa sabe que precisa realizar determinada atividade, mas encontra dificuldades para começar ou continuar.

Por isso, compreender a procrastinação exige olhar não apenas para o comportamento de adiar, mas também para o que acontece antes e depois dele.

O que é procrastinação?

Na Psicologia, a procrastinação é compreendida como um padrão de adiamento voluntário de uma ação pretendida, mesmo quando a pessoa reconhece que o atraso pode ser prejudicial.

Ela pode aparecer em tarefas profissionais, estudos, decisões pessoais, organização da rotina e até mesmo em situações relacionadas ao autocuidado.

É importante entender que nem todo adiamento é procrastinação.

Adiar uma tarefa porque surgiu algo mais urgente, porque é necessário descansar ou porque uma decisão precisa de mais informações faz parte da organização da vida.

A procrastinação acontece quando o adiamento se torna recorrente e ocorre mesmo diante da intenção de agir.

Por que procrastinamos?

Uma das explicações importantes para a procrastinação está na forma como lidamos com emoções desagradáveis.

Algumas tarefas provocam tédio, ansiedade, insegurança, medo de errar, frustração ou sensação de incapacidade.

Diante desse desconforto, a pessoa pode buscar uma atividade que proporcione alívio imediato.

Por exemplo:

"Vou olhar o celular antes de começar."

"Vou organizar minha mesa primeiro."

"Começo depois do almoço."

Naquele momento, afastar-se da tarefa pode diminuir o desconforto.

O problema é que esse alívio imediato pode fortalecer o comportamento de adiamento.

O ciclo da procrastinação

A procrastinação pode funcionar como um ciclo:

Tarefa → desconforto → adiamento → alívio momentâneo → consequências → culpa ou preocupação → maior desconforto.

Imagine uma pessoa que precisa iniciar um projeto importante.

Ela pensa que precisa fazer tudo muito bem. A tarefa começa a gerar ansiedade. Para aliviar essa sensação, ela adia e realiza outra atividade mais fácil ou prazerosa.

Naquele momento, sente alívio.

Mais tarde, porém, percebe que o prazo está se aproximando. A preocupação aumenta, a tarefa parece ainda mais difícil e surge a culpa por não ter começado antes.

Esse ciclo pode se repetir.

Procrastinação é preguiça?

Não necessariamente.

Uma pessoa pode querer muito realizar uma tarefa e, ainda assim, ter dificuldade para iniciá-la.

Por trás da procrastinação podem existir diferentes fatores, como dificuldade de lidar com emoções desagradáveis, medo de fracassar, perfeccionismo, baixa motivação, dificuldade de organização ou problemas relacionados à atenção e ao planejamento.

Por isso, simplesmente dizer "é só ter disciplina" nem sempre ajuda.

É necessário compreender por que aquela pessoa está adiando aquela tarefa específica.

Procrastinação e perfeccionismo

Perfeccionismo e procrastinação podem estar relacionados.

Quando a pessoa acredita que precisa entregar um resultado excelente, começar pode gerar uma pressão muito grande.

O pensamento pode ser:

"Preciso fazer perfeito."

"Não posso errar."

"Ainda não estou preparado."

"Quando eu tiver mais tempo, farei direito."

O adiamento, então, funciona como uma maneira de evitar temporariamente o desconforto provocado pela possibilidade de não atingir o padrão esperado.

Procrastinação e emoções

Muitas vezes, o que está sendo evitado não é exatamente a tarefa.

Pode ser a emoção associada a ela.

Uma tarefa pode despertar medo de fracassar. Outra pode provocar tédio. Uma decisão pode gerar insegurança. Uma conversa pode despertar medo de conflito.

Nesses casos, procrastinar pode funcionar como uma estratégia de regulação emocional de curto prazo.

O problema é que aquilo que proporciona alívio agora pode aumentar o sofrimento depois.

Como a Psicologia pode ajudar?

A psicoterapia pode ajudar a identificar o que está por trás do comportamento de procrastinar.

Na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), por exemplo, o processo pode envolver a identificação de pensamentos automáticos, emoções, comportamentos de evitação e padrões que mantêm o ciclo.

A pessoa pode aprender a observar:

O que estou sentindo diante dessa tarefa?

O que estou pensando sobre ela?

O que estou tentando evitar?

O que acontece quando eu adio?

Que consequência esse comportamento traz depois?

A partir dessa compreensão, podem ser desenvolvidas estratégias mais funcionais para iniciar e concluir atividades.

Como começar a mudar?

A mudança não depende apenas de esperar pela motivação.

Algumas estratégias podem ajudar:

Dividir tarefas grandes: transformar uma atividade extensa em pequenas etapas pode reduzir a sensação de sobrecarga.

Definir o primeiro passo: em vez de pensar em terminar toda a tarefa, identificar o que precisa ser feito para começar.

Observar pensamentos: perceber quando pensamentos como "preciso fazer perfeito" ou "não vou conseguir" estão aumentando a dificuldade de agir.

Aceitar o desconforto: nem toda tarefa precisa ser prazerosa para ser realizada.

Reduzir a lógica do tudo ou nada: fazer uma parte da tarefa pode ser mais útil do que esperar pelas condições perfeitas para fazer tudo.

Quando a procrastinação merece atenção?

Adiar ocasionalmente faz parte da vida. Porém, quando a procrastinação se torna frequente e começa a prejudicar estudos, trabalho, relacionamentos, finanças ou projetos pessoais, pode ser importante compreender o que está acontecendo.

A procrastinação persistente pode estar associada a diferentes dificuldades psicológicas e comportamentais. Por isso, uma avaliação individual é importante para compreender cada caso.

A terapia pode ajudar a identificar esses padrões e desenvolver novas formas de lidar com tarefas, emoções e decisões.

Procrastinar não significa simplesmente não querer fazer. Muitas vezes, significa tentar evitar, por alguns instantes, aquilo que a tarefa faz você sentir. Compreender esse ciclo é um passo importante para começar a mudá-lo.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma avaliação psicológica individual. Se quiser conversar sobre o que leu, agende uma consulta.

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